Open Source na maioridade

Post de Cezar Taurion que retrata muito bem o cenário Open Source e seus modelos de negócio.

Post original na íntegra.

Volta e meia dou entrevistas para a mídia falando de Open Source. E uma das perguntas mais frequentes é sobre “Quanto a IBM obtém de receita com Open Source?’.  Ora, quando se fala no modelo tradicional de comercialização de softwares, esta pergunta tem uma resposta fácil: basta ver quantas licenças foram comercializadas e qual o preço médio delas. Mas, com Open Source é diferente. É muito difícil capturar com precisão o volume de receitas. Muito da receita de Open Source é obtido de forma indireta. Um exemplo é o Google que fornece gratuitamente softwares como Android e outros, para alavancar receita com anúncios. Vejamos também a IBM, que apoia diversos projetos como o Linux, Eclipse e outros, alavancando receitas indiretas, como mais servidores, serviços e  mesmo softwares não Open Source.

Portanto, precisamos reformular a questão. A receita direta e contabilizável de um determinado software Open Source não implica em medida direta do sucesso ou fracasso do seu impacto econômico. Devemos, para esta análise, olhar o ecossistema como um todo. Um engano comum é comparar as receitas de um determinado software comercializado na modalidade de vendas de licenças com a receita obtida pelos distribuidores de softwares Open Source. Ora as distribuições pagas de  softwares Open Source, de maneira similar ao SaaS, são comercializados pelo modelo de negócios de assinaturas, com a receita sendo distribuída ao longo de vários anos e não concentrada em um único pagamento. Assim, comparar receitas obtidas por  modelos de negócio diferentes  é comparar laranjas com bananas.

Além disso, não existe correlação entre a receita direta obtida com determinado software e seu uso pela pela sociedade. É muito difícil medir com precisão o uso de um software Open Source. Podemos contabilizar os downloads registrados a partir de um determinado site associado ao software em questão. Mas, a partir daí, como é perfeitamente possivel e até mesmo incentivada sua livre distribuição, fica difícil contabilizar as inúmeras outras cópias que circularão pela Web.

Entretanto, é indiscutível que Open Source está se disseminando rapidamente. Os seus principais apelos para o mercado são bastante motivadores: não demanda desembolso prévio para licença de uso (troca capex ou custo de capital  por opex, que é custo operacional), menor custo de propriedade, evita aprisonamento forçado por parte de fornecedores e maior facilidade de customização, pelo livre acesso ao código fonte. Também observamos que sua disseminação não é homogênea por todos os segmentos de software. Sua utilização é muito mais ampla em sistemas operacionais, web servers e bancos de dados, mas ainda restrita em outros setores, como ERP e business intelligence.

Mas, Open Source não cresce não apenas no campo do uso tradicional de software, que são os aplicativos comerciais. Vemos sua disseminação se acelerando à medida que a Web se dissemina (muito do código que existe rodando na Web 2.0 e redes sociais é baseado em linguagens dinâmicas em Open Source como PHP, Python e Ruby) e veremos muito código Open Source sendo a base de sensores, atuadores, set top boxes da TV digital, netbooks, celulares e outros novos equipamentos. Open Source também está na base tecnológica de muitas infraestruturas de cloud computing.

… +veja o artigo na íntegra aqui.

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